SAC ou Price: qual sistema de financiamento vale mais a pena?
Na hora de financiar um imóvel, uma das decisões mais importantes — e menos discutidas — é a escolha do sistema de amortização. SAC ou Price? A resposta depende do seu perfil financeiro, mas entender as diferenças pode te economizar dezenas de milhares de reais ao longo do contrato.
O que é amortização?
Amortização é a parte da parcela que efetivamente abate a sua dívida. Em todo financiamento, a parcela mensal é composta por dois elementos: a amortização (redução do saldo devedor) e os juros (custo do dinheiro emprestado). A diferença entre SAC e Price está em como esses dois elementos se dividem ao longo do tempo.
Como funciona o Sistema SAC
No SAC (Sistema de Amortização Constante), a amortização é sempre a mesma todos os meses — calculada simplesmente dividindo o valor financiado pelo número de parcelas. Como o saldo devedor cai de forma constante, os juros mensais também diminuem progressivamente.
O resultado: as parcelas começam mais altas e ficam menores com o tempo. No início você paga mais, mas a dívida cai mais rápido — e você paga menos juros no total.
Como funciona a Tabela Price
Na Price, as parcelas são todas iguais do início ao fim. Isso facilita o planejamento financeiro — você sabe exatamente quanto vai pagar todos os meses durante todo o contrato. Porém, nos primeiros anos, a maior parte de cada parcela é composta por juros, e muito pouco abate a dívida de fato.
Isso significa que nos primeiros anos de um financiamento Price, o saldo devedor cai muito lentamente — e você paga mais juros no total do que pagaria no SAC.
✅ SAC — Vantagens
- Paga menos juros no total
- Saldo devedor cai mais rápido
- Parcelas ficam menores com o tempo
- Melhor para quem pode pagar mais no início
✅ Price — Vantagens
- Parcela fixa facilita o planejamento
- Parcela inicial menor
- Mais fácil de enquadrar na renda
- Melhor para quem tem renda ajustada
Comparativo com números reais
Para entender a diferença na prática, veja a simulação de um financiamento de R$300.000 a 0,85% ao mês em 360 meses (30 anos):
| Item | SAC | Price |
|---|---|---|
| 1ª parcela | R$ 3.383 | R$ 2.757 |
| Última parcela | R$ 841 | R$ 2.757 |
| Total de juros | R$ 277.650 | R$ 392.520 |
| Total pago | R$ 577.650 | R$ 692.520 |
| Economia no SAC | R$ 114.870 a menos | |
A diferença de R$114.870 é significativa — e é exatamente o mesmo imóvel, com a mesma taxa e o mesmo prazo. A única variável é o sistema de amortização.
💡 Resumo: se você consegue pagar a primeira parcela do SAC sem comprometer mais de 30% da sua renda, o SAC é quase sempre a melhor escolha financeira.
Quando escolher a Price?
A Price faz sentido quando a parcela inicial do SAC ultrapassa o limite de comprometimento de renda exigido pelo banco (geralmente 30% da renda bruta familiar). Como a primeira parcela do SAC é maior, pode acontecer de o banco aprovar o financiamento na Price mas não no SAC para o mesmo valor de imóvel.
Nesse caso, uma estratégia é financiar na Price e fazer amortizações extras sempre que possível — usando o 13º salário, a PLR ou qualquer recurso extra para abater o saldo devedor nos primeiros anos, quando os juros têm maior impacto.
O que acontece se eu quiser antecipar parcelas?
Antecipar parcelas é sempre vantajoso, especialmente nos primeiros anos do financiamento — quando o saldo devedor é maior e os juros têm mais impacto. No SAC, a antecipação reduz o número de parcelas restantes. Na Price, dependendo do banco, pode reduzir o valor da parcela ou o prazo — e você pode escolher qual prefere.
Uma antecipação de R$10.000 feita no 1º ano do financiamento pode gerar uma economia muito maior do que a mesma antecipação feita no 25º ano. O momento importa tanto quanto o valor.
Posso usar o FGTS no financiamento?
Sim. O saldo do FGTS pode ser usado como entrada ou para amortizar o saldo devedor em financiamentos pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Para isso, o imóvel precisa ser residencial e urbano, você não pode ter outro financiamento ativo pelo SFH, e precisa ter pelo menos 3 anos de contribuição ao FGTS. Usar o FGTS como entrada é uma das formas mais eficientes de reduzir o valor financiado e, consequentemente, os juros totais.
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